Imortalizada pelas cinzas

A cidade romana de Pompeia foi destruída durante a erupção do vulcão Vesúvio no ano 79 d.C. e, atualmente, suas ruínas atraem 2,5 milhões de turistas todos os anos.

 

O ano era 79 d.C e aquele era apenas mais um dia comum em Pompeia. Localizada na Baía de Nápoles, a cidade contava com 20 mil habitantes e era uma das mais prósperas do Império Romano. Por volta das 10 horas da manhã, ouviu-se um forte estrondo e uma nuvem preta se ergueu sobre a cidade. Os moradores de Pompeia não sabiam, mas a cidade estava situada aos pés de um vulcão e ele estava prestes a mostrar toda a sua força.

 

A fumaça e as cinzas expelidas pelo Vesúvio transformaram o dia em noite em poucos minutos. Junto à nuvem preta, o vulcão também bombardeou Pompeia com toneladas de rochas. Os arqueólogos acreditam que as primeiras vítimas foram atingidas pela chuva de pedras ou soterradas pelos telhados que cederam. Boa parte da população correu para casa esperando o pior passar e pedindo a proteção dos deuses. Nas horas seguintes, muitos morreram asfixiados pelos gases tóxicos expelidos pelo vulcão. Quando as pessoas se convenceram que precisavam deixar a cidade, já era tarde demais. Quem tentou escapar pela principal passagem na muralha que cercava Pompeia encontrou a saída soterrada pelos escombros. Ondas de até oito metros destruíram barcos e tornaram a fuga pelo mar impossível. Pompeia estava sendo castigada há pelo menos 12 horas, mas o pior ainda estava por vir. Viajando a mais de 120 quilômetros por hora, uma avalanche de cinzas e rochas superquentes, com temperaturas superiores a 500°C, cobriu a cidade.

 

Estudos comprovaram que o calor foi a principal causa de morte durante a erupção do Vesúvio e mesmo aqueles que estavam abrigados em construções morreram na hora. Antes das 7 horas da manhã do dia seguinte, uma nova onda de atletas temperaturas atingiria a cidade, selando para sempre o seu destino.

 

CONGELADA NO TEMPO

Se Roma é a cidade eterna, Pompeia é a cidade eternizada. Suas ruínas permaneceram soterradas embaixo de cinzas e pedras durante séculos até serem redescobertas em 1748. Hoje, as escavações de Pompeia são um dos principais sítios arqueológicos do mundo e atraem 2,5 milhões de turistas todos os anos. Tanto interesse por Pompeia não é por acaso. As escavações revelaram que a cidade estava incrivelmente bem preservada e parece ter sido congelada no tempo. Passeando por suas ruínas é possível conhecer em detalhes como era a vida durante o Império Romano. Curiosamente, a mesma tragédia que devastou Pompeia permitiu que a cidade vivesse para sempre.

 

CASA DO FAUNO

Não deixe de visitar a Casa de Fauno, a maior residência particular de Pompeia com quase 3 mil metros quadrados. Você vai observar o incrível jardim interno e o engenhoso sistema de coleta de água da chuva. Outro lugar que vale a visita é a Casa dos Vettii, uma das mais luxuosas residências da cidade. Ela chama a atenção pelos frescos preservados em suas paredes pelas pichações de cunho eleitoral feitas na frente da casa. Na Vila dos Mistérios estão pinturas que mostram o ritual de iniciação de  uma mulher nos mistérios dos deuses romanos.

 

O Fórum era o coração da cidade, localizado na esquina das duas principais ruas de Pompeia. Rodeado por templos e prédios públicos. Era lá que a vida social, política e econômica acontecia. As Termas, o Teatro Grande e o Anfiteatro também impressionam pela grandiosidade e estado de preservação. No Jardim dos Fugitivos é possível ver o corpo de 13 pessoas que tentaram, em vão, escapar da erupção.

 

COMO VISITAR?

Os ingressos para conhecer as escavações de Pompeia custam $ 15 (euros), aproximadamente R$ 69,00, e podem ser comprados diretamente na bilheteria da atração. A visitação está aberta diariamente das 8h30 às 19h30. Não se esqueça de pegar os mapas que são fornecidos na própria bilheteria para se localizar durante a visita e escolher o melhor percurso. Se estiver com bolsas ou mochilas pesadas. Lembre-se de levar uma garrafinha de água, pois as ruínas são bem espalhadas e você vai levar umas três horas para ver o essencial.

 

COMO CHEGAR?

Ao chegar na Estação Central de Nápoles, siga as setas que indicam onde fica a ferrovia regional EAV (antiga Circumvesuviana), é de lá que partem os trens para Pompeia. Você deve comprar um bilhete de ida e volta (custa $ 2,80 por trecho) e pegar o trem em direção à Sorrento. O trajeto leva cerca de 40 minutos e, como você já deve ter imaginado, contorna o Vesúvio. Existem quatro estações chamadas Pompei, a mais próxima da entrada das escavações é Pompei Scavi – Villa dei Misteri.

 

EXPRESSÃO DE ROSTOS

Quando as escavações em Pompeia começaram, os arqueólogos perceberam que existiam espaços vazios entre as cinzas e que eles correspondiam aos corpos decompostos das vítimas. Eles foram recriados injetando gesso nesses espaços, revelando até mesmo a expressão de sofrimento nos últimos minutos de vida. Uma curiosidade é que, em alguns casos, os ossos ainda estavam preservados e foram envolvidos pelo gesso.

 

TESTEMUNHA OCULAR

O principal relato da tragédia de Pompeia foi escrito por Plínio. Ele pode observar tudo do outro lado do golfo de Nápoles e descreveu em detalhes a fúria do Vesúvio. De acordo com seus registros, a erupção teria começado no dia 24 de agosto e a data foi aceita pela maior parte dos historiadores durante muitos anos. Entretanto, estudos arqueológicos mais recentes sugerem que ela teria acontecido, pelo menos, dois meses mais tarde. Essa versão é sustentada pelos vestígios de tecidos mais grossos e roupas mais quentes, frutas e vegetais típicos de outono nas bancas e também pelas jarras de fermentação de vinho estarem seladas, o que costumava acontecer em outubro.

 

PARA TERMINAR EM PIZZA

Se ainda sobrar energia e disposição, visite o Museu Arqueológico Nacional quando voltar para Nápoles. Lá estão expostas mosaicos, afrescos, esculturas originais retiradas de Pompeia e até mesmo as obras de arte erótica que deram fama de devassa à cidade. O museu fecha às terças-feiras e a entrada custa $ 8 (euros). Para fechar a noite, dê uma paradinha na Da Michele para experimentar a verdadeira pizza napolitana. Esta é uma das mais tradicionais pizzarias da cidade e só oferece duas opções: marinara ou margherita. Duas pizzas e duas cervejas não custam mais do que $ 15.

 

Fonte: Revista Ofertão